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Apego: Você é a única pessoa que pode mudar isso.


Todos esses sentimentos de tristeza, e de que está faltando algo, acontece por uma razão. O apego.

Sabe quando você muda de escola, ou de cidade e você fica triste por isso? Quando você termina um namoro, e mesmo que aquele relacionamento não esteja mais te fazendo bem, você continua triste?

Aquele momento que você precisa cortar o laço com aquela amizade antiga, mesmo que vocês já não estejam conversando mais. Quando para de correr todos os dias, e passa a sentir falta daquilo.

Todos esses sentimentos de tristeza, e de que está faltando algo, acontece por uma razão. O apego.

Você se apega a aquela pessoa que te chamava todos os dias de manhã. A comida pronta que sua mãe vazia. A companhia do seu animal de estimação. Aquele trabalho, ou lugar que você estudava.

Mesmo que aquilo não te faça mais bem, você se apegou a isso. Você fez com que isso se torna-se um hábito. Consequentemente a ausência disso, te gera a sensação de que falta alguma coisa, mas nunca faltou.

Às vezes é difícil entendermos que as coisas vão passar em algum momento.

Que aquele sentimento bom e gostoso, mas que em algum momento te causou dor, também passará. É complicado se convencer que está tudo bem, quando o mudo parece cair sobre você.

 Mesmo que você se lembre de quantas vezes machucou e cicatrizou, acreditamos que dessa vez, esse machucado sempre estará aberto. Mas não estará. Nunca vai estar.

Você é a única pessoa que tem controle da sua vida.

Só você tem o poder de escolher o que você vai fazer daqui para a frente. Sentir a dor e permitir que aquela sensação de vazio, que a mudança do seu cotidiano te causa é necessário. Porém, você precisa fazer uma decisão difícil agora. Amanhã quando acordar entrará em um novo caminho ou permanecerá no mesmo?

Apego. Apegar. Ape. Gar. Pegar. Apego. Você escolhe o que você quer fazer agora. Se apegar? Pegar? Tornar algo parte do seu ape? Ou procurar uma nova moradia.


Dilema

Foto: Pinterest
A campainha tocou. Abaixei o volume da música e ajeitei o cabelo, estava organizando a casa. Gritei um “já vou” e me encaminhei até a porta para abri-la. Meu susto oscilou entre a paralisação e um abraço súbito. Você estava diferente, mas vestia o mesmo sorriso de sempre. A barba estava maior que nunca, o suéter verde água contrastava com a pele morena e o jeans surrado fazia jus ao estilo. De um lado a mala e do outro uma muda de flores. Te chamei para entrar e disse para não reparar a bagunça. Do cabelo ou da casa? Você perguntou.
Rimos juntos. Só você para se sentir tão à vontade assim. Foi até o armário, pegou o café, colocou água para esquentar e enquanto esperava ferver me puxou para mais um abraço apertado. Eu sabia que estava na cidade, mas não imaginava que iria vir me visitar. A última vez o café tinha acabado. Enquanto o café não ficava pronto, eu ajeitava um lugar adequado para as flores.
Você disse que eu amaria conhecer os países da Europa que visitou dessa vez. Tenho certeza que sim, mas enquanto não finalizar os projetos não conseguiria sair da cidade. Você coçou a cabeça e eu sabia que minha resposta não o agravada. O que foi? É que você sempre diz isso: projetos, trabalho, estudos. Quando vai deixar isso de lado e viajar comigo? Você não entende. Não entendo. Ficamos em silêncio, o único barulho era da água fervendo, que logo você jogou dentro do filtro com café.
Você pegou duas canecas, serviu, abriu a geladeira encontrou o chantilly e acrescentou no café. Sentou-se no chão da sala encostado no sofá, bebeu um gole e me chamou para sentar ao seu lado. Sentei-me e sentia meu coração querer pular fora. Eu já sabia o que vinha agora, mas não estava preparada. Não agora. Bebi o café com chantilly, aquilo estava uma delícia. Não podemos ficar assim para sempre. Eu olhei para você e não consegui responder. Encostei a cabeça no assento do sofá, fechei os olhos e fiquei pensando em como recusar mais uma vez a proposta.
Encontrei uma casa legal em Brisbane. Sei que você prefere apartamentos, como esse aqui, mas a casa tem tudo a ver com você. Não fechei o negócio ainda. Você não acha muito equivocado? Equivocado? Eu podia sentir a sua raiva vindo. Estamos nessa há mais de quatro anos. Antes você dizia ser os estudos e então, te esperei, depois a desculpa de estabilidade financeira, agora os projetos e emprego. Como você acha que é para mim? É mais difícil para eu que fico… Então porque não vem? Balancei a cabeça.
Escuta, estou voltando para lá na sexta. Comprei sua passagem, se você se decidir sabe o que fazer. Você bebeu o último gole, deu um beijo na minha testa, deixou a passagem em cima do sofá e saiu pela porta.
Fiquei ali, olhando para a passagem, em um dilema e sem saber o que fazer.

Minha pausa favorita

Foto: Pete Johnson
Era terça-feira quando eu te encontrei. Você estava no canto do bistrô sentada naqueles bancos maiores e no balcão. O laptop conectado ao fone de ouvido, o caderno ao lado e uma caneta de tinta preta. Eu não tinha ideia do que você fazia, se era algo relacionado a faculdade, hobby ou trabalho do serviço que ficou para trás. A curiosidade era tanta que esqueci o compromisso com o arquiteto do meu novo projeto e sentei ao seu lado. Não importava, o meu instinto dizia para ficar.
A princípio fingi estar olhando para o movimento da rua, assim como você fazia. De canto de olho eu via o movimento do seu corpo dançando timidamente ao som da música que tocava e só você ouvia. Eu sorri e gesto fez você me notar. Tirou os fones de ouvido, sorriu e disse: você está rindo de mim? Eu só balancei a cabeça e ri confirmando que fui pego no pulo. A nossa conversa começou assim. No meio dela eu soube que você estava estudando sobre girassóis, queria saber como cuidar deles, seu jardim estava precisando de uma cor. Aquilo me chamou atenção. Que tipo de pessoa tira um tempo da rotina para estudar sobre plantas? Eu, você respondeu com uma alegria contagiante.
Falamos sobre girassóis, hortaliças, onze horas e os seus conhecimentos sobre flores. Era incrível como a sua conversa despretensiosa pausava a correria do meu dia a dia. Você compartilhou os planos de visitar uma plantação de girassóis. Era seu vício do momento e não sossegaria enquanto não encontrasse algum lugar que oferecesse a vista. Não entendi o porque, mas eu disse que te levaria. Ótimo, nem precisei dizer outra vez. Você já fazia planos para a caça. Entrei na empolgação e passamos a tarde pesquisando lugares próximos. Descobrimos que um deles ficava a duas horas de onde estávamos. Não pensamos muito, fomos para meu carro e partimos.
Passamos quase quatro horas na estrada conversando sobre a vida, a sua e a minha. Quando víamos uma paisagem exuberante, parávamos para tirar fotos ou só apreciar a vista. Sempre tive vontade de pegar a estrada, mas eu não sou desses de largar os compromissos para ter este privilégio. Aquele dia, você me desconectou. E quer saber? Foi um dos melhores dias da minha vida.

Nunca me esqueci da felicidade que você ficou quando finalmente chegamos ao local. Você tinha razão, a sincronia dos girassóis com o sol era incrível. Só não era mais lindo que os seus cabelos movendo contra o sol. A sombra do teu corpo enquanto corria entre a plantação me parecia a visão perfeita para o fim do dia. Eu me apaixonei ali, enquanto você gargalhava e dançava sobre o verde e o amarelo. Daquele dia em diante, as estradas e paisagens era nossa distração preferida. Mas você era minha pausa favorita.

Quando as pessoas vão embora


"Mas você não precisa me cortar, fingir como se nunca tivesse acontecido e que não éramos nada. E eu nem preciso do seu amor, mas você me trata como um estranho e isso é tão duro."


As vezes eu fico pensando sobre o fato de me basear muito nas pessoas. De se importar tanto com as pessoas a ponto de colocá-las na minha frente. Ou então quando eu me apego tanto a elas, que se elas se ausentam um minuto na minha vida eu entro em desespero. 

Até hoje eu sinto falta daquelas pessoas que já se foram. Não estou falando que elas morreram ou algo do tipo, mas sim quando elas decidiram seguir o rumo delas, sem que eu esteja incluída nele. Isso ainda é duro pra mim. Isso ainda dói de um jeito que eu não consigo descrever, e mesmo que a vida seja um  ciclo, no qual entra e sai pessoas o tempo inteiro, nenhuma delas consegue substituir o lugar de uma amizade antiga, consegue completar aquele vazio que alguém um dia me deixou.

Eu queria não ser assim. Eu queria conseguir manter esse tempo comigo mesma, e saber que eu estou bem, estou bem por inteira. E por mais que eu esteja sozinha na multidão e repita para mim mesma mil vezes que está tudo bem, eu sei que não está, eu sei que falta alguma coisa aqui. 

Se alguém me perguntasse o que eu gostaria de mudar em mim mesma, eu imploraria, para tirar esse vazio de dentro de mim. As pessoas sempre entram na minha vida sem bater na porta, e saem sem avisar. Elas nunca deixam um recado de “Hey, semana que vem eu vou embora”, para pelo menos me preparar. Com o tempo isso foi se tornando um trauma, e a cada pessoa que entra na minha vida eu tenho medo de vê-la indo embora, porque eu crio um sentimento muito grande por cada um e ainda não consigo lidar com isso.

As feridas podem curar, mas elas sempre deixam cicatrizes. Assim como eu carrego comigo as lembranças de pessoas, e o medo incondicional de todo esse ciclo começar novamente, porque eu já conheço o final dessa história.  

O amor não dói, o que dói é sua hipocrisia

(Imagem: Todos os direitos reservados. Reprodução.)

"Amar machuca", "Quando você ama você só se fod*", "Amor não trás felicidade muito pelo contrário", "Eu nunca vou ser amado", "Eu não nasci para amar", "Eu te amo"...

Já pensou em quantas vezes você disse isso? Ou quantas vezes já pensou nisso? Até por quanto tempo você vai dizer que amar não vale a pena por frustrações passadas? Amor... Uma palavra tão pequena porém com um significado tão grande. Por que amar se tornou um medo, algo assustador, terrível, importuno? Simples, por causa da sua ignorância, do seu descaso, da sua má vontade, do seu desprezo, do olhar mal encarado, das não conversas bobas jogadas fora, por causa das não trocas de olhares por minutos em um local público, por causa dos não passeios na praça, das não idas em museus, as não saídas para uma sorveteria, é por causa da sua frieza que o amor se tornou um medo, até mesmo para você! 

Mas sabe o que é, o amor é só um sentimento, um sentimento bom, que protege, acolhe, alimenta, da carinho, cuida, e ama. O amor não sente raiva, não sente desprezo, não bate, não corre, mas fica ali quando tudo está desabando ele fica ali quietinho, no mesmo lugar por amar tanto a ponto de não querer sair dali! 

Você só se ama alguém verdadeiramente uma vez na vida, porque como eu disse quando você ama você fica ali mesmo quando tudo está caindo aos pedaços, quando tudo está se inundando, quando o chão se desfaz, você fica ali com a pessoa por amá-la, o amor é o sentimento mais puro e inocente que existe no mundo, só se deve saber amar e se permitir amar.

O amor não machuca, não fere sua alma, não te mata aos poucos, não te tortura, o amor não dói, o que dói é sua hipocrisia de não saber amar. 

Ame, começando por hoje e começando por você! Ame a si próprio e assim sem notar começarás a amar puramente os outros.

Por enquanto, é só isso

Imagem: Pinterest
Eu estava num daqueles dias distraídos. Daqueles que as coisas acontecem e a gente nem dá tanta atenção. Que a gente tropeça na calçada porque está de salto e não presta atenção por onde anda. Em que a gente pede sorvete de baunilha, mas gosta mesmo é do de chocolate. Eu estava à mercê da falta de atenção. Até encontrar você. Cinco anos e você estava do mesmo jeito. Tirando a barba por fazer que sempre foi seu charme.
Confesso que no início fingi não ter te visto. Aquela timidez da adolescência resolveu dar o ar da graça. Mas depois lembrei de que não fazia mais sentido fugir de algo que não transbordava meu coração. Levantei o olhar e te encarei. Você estava olhando para mim e disfarçou, mas firmei até você se sentir incomodado e olhar novamente. Pronto. Nos cumprimentamos e aquilo era o suficiente para meu ego.
Voltei à minha leitura.
Você veio até mim e isso não me pegou de surpresa. Perguntou como eu estava e foi a deixa para uma conversa que estava engasgada a anos. O que anda fazendo? Entrei num trabalho legal e algumas vezes viajo por aí e você, continua na mesma de sempre? Fiz referência as farras que te classificava como babaca. Um pouco, mas confesso que me sinto meio velho hoje em dia. O quê, ta querendo casar? Poderia ser uma possibilidade, se ao menos tivesse uma pretendente. Achei engraçado e soltei aquele risinho frouxo.
Me convidou para tomar um sorvete e eu resisti. Pensei no meu namorado e no que as pessoas poderiam achar quando eu contasse. É só um sorvete, menina. Não te custaria nada. Uma discussão talvez, pensei, mas eu queria algo gelado. Fomos e me senti estranha por andar ao seu lado depois de tudo.
Você me contou sobre as coisas que te aconteceram nesses anos, sobre como amadureceu e eu quase acreditei. Contei como estava dando certo por aqui e a sensação de fechar o primeiro contrato dos sonhos. E você me observava com atenção. Perguntava por detalhes que passava despercebido pelas pessoas. Até vir um: você está mais linda que nunca. O rosto ruborizou, acontece sempre quando alguém elogia.
Sabe que meio impossível esquecer, né? Eu ri escandalosamente. Não precisamos desses joguinhos, já somos adultos. Quem disse que é joguinho? Quando a mulher da tua vida chegar, você nem vai lembrar. Quando somos adolescentes fazemos coisas impensáveis. É, mas quando somos adultos também, a diferença é que temos coragem de admitir e repará-las. Tô falando que você foi a primeira e, você sabe, primeira a gente não esquece. Diga por você. Ai, essa doeu. Você pediu. É.
A sua risada quebrou o gelo e você viu meu anel. Noiva? É só um anel de família dele. Percebi um clima estranho, mas consegui disfarçar. Conversamos até o sorvete acabar. Nos despedimos com aquele abraço sincero e sem mágoas em que diz eu torço por você e seguimos cada um seu rumo. Me despedi do meu passado. Entrei no ateliê mais leve que nunca.
Você mandou notificação de amizade no facebook. Algum tempo atrás eu teria apertado no botão aceitar, mas nosso encontro foi suficiente e eu não precisava mais saber o que acontece na sua vida. Talvez daqui outros cinco anos a gente se encontre e converse novamente.
Por enquanto, é só isso, obrigada.

Tempo

(Imagem: Todos os direitos reservados)

Um dia me fizeram a seguinte pergunta: 

"Para você o que é a coisa mais poderosa do mundo?"

E eu respondi com toda convicção "O TEMPO".

E me perguntaram o motivo de eu considerar o tempo como a coisa mais poderosa que existe, e eu expliquei... 

Tudo se é obtido, construído, aprendido, servido e vencido com o tempo, tudo se é resolvido com o tempo. 

Com o tempo nos declaramos a alguém que amamos, com o tempo nos alegramos com as ações do passado ou nos arrependemos com as mesmas, nos enxergamos de uma forma diferente, nós mudamos, preenchemos vazios, vazios, preenchemos vazios que nunca foram preenchidos, com o tempo adquirimos conhecimento sobre determinado assunto que por vez não dominávamos e com o tempo transformamos esses em sabedoria e passamos aos outros tudo que já sabemos, com o tempo vamos para lá e/ou voltamos para cá, somos meros escravos do tempo, servimos ao tempo, somos súditos, submissos do que é mais incerto. 

E a incerteza das vontades do tempo machuca qualquer mente pensante, amante, principiante ou experiente, qualquer mente sábia, tola, apaixonada ou arrogante, séria ou divertida, simples, complicada, qualquer mente humana... 

Com o tempo somos um e com o tempo nós tornamos dois, três, dividimos nossos corações, nossos sentimentos, nos tornamos pessoas capazes de tornar o tempo nosso melhor amigo a ponto de conseguirmos lidar com a improváveis mudanças prováveis e com a certeza de que tudo, absolutamente tudo é incerto! 

Não podemos simplesmente deixarmos de viver por termos agora a consciência de que somos impulsionados a fazermos o que o tempo propõe a nós, os obstáculos que nos são colocados no caminho, "A vida não é medida por quantas vezes respiramos, mas pelos momentos que nos são tirados o ar"...

"Quanto tempo dura o que é eterno?

"As vezes apenas um segundo..."

Oh tempo! Tenho conhecimento de agora ser tua escrava, súdita, submissa as tuas incertezas, por favor, peço que apenas me dê oportunidade de ser melhor, de ter você para fazer com que eu alcance minha verdadeira paz. 



Quando eu não tiver mais você, o meu eterno já terá sido eternizado, seu poder fará com que eu seja mais, mais do que eu mesma acredito que posso ser, eu só preciso de você tempo.

Qual é o esporte feminino?


Eu sempre falei nas minhas redes sociais o quanto eu adoro praticar exercícios físicos, é algo que faço desde muito pequena, pois sempre me fez bem. A galera costuma ver eu postando foto correndo, fazendo circo, andando de skate, mas nem todo mundo sabe que eu também tenho uma paixão pelo futebol, mas infelizmente amar isso nunca foi um mar de rosas e sinceramente? Até hoje não é.

Quando eu era criança eu observava os meninos jogando em todo canto, na rua, na escola, na televisão e eu achava aquilo incrível, e sentia uma imensa vontade de jogar. Eu comecei entrando aos poucos no pênalti que tinha na minha escola no primário, porque ali você só precisava fazer fila e esperar chegar sua vez, era mais fácil de conseguir jogar.

Depois que a minha paixão foi aumentando eu queria jogar em times, mas não tinha equipes femininas na minha escola, e a única solução que eu tinha era jogar com os garotos, mas não era simples assim.

"Você não sabe jogar, então não vamos deixar."
 

"Você é mulher, mulheres não jogam futebol"

Conseguir achar um espacinho em um time de futsal sempre foi muito complicado, eles nunca deixavam eu jogar por ser mulher, e sempre procuravam desculpas bobas, como aquelas de que mulheres não sabem jogar, e isso foi algo que sempre me incomodou, sempre me machucou, porque eu fui privada de fazer algo que eu amava. 

Aos meus 7, 8 anos eu finalmente consegui entrar em um time de futsal. Eu e meus pais, passamos um bom tempo procurando algum lugar que aceitava garotas para que eu pudesse jogar. Mesmo estando dentro do time, no campo é outra realidade, as pessoas te veem ali, pensam que você está jogando, mas mal sabem que os garotos jogam para si e te privam no campo sem perceber. Com o tempo, acabei saindo do time.

Eu passei um bom tempo tentando ser incluída nos jogos, até que um dia, quando eu tinha 13 anos eu pedi os garotos para deixar eu jogar bola, e então um deles me deu um chute e falou que eu não iria jogar, porque eu era uma mulher. Eu sai dali chorando, e me perguntando o porquê de eu ser uma mulher, e desejando ser um garoto só para poder fazer aquilo que eu gostava e depois de horas chorando, finalmente percebi que tinha alguma coisa errada, e comecei a questionar o porquê de não poder jogar com os outros caras, e foi exatamente ali, que eu conheci o feminismo mesmo sem saber.

Quando as pessoas me perguntam se sou feminista, digo que não gosto de me rotular como feminista, porque acho que ninguém precisa de um rótulo para ser o que quer ser ou lutar por algo pelos seus direitos, mas eu sei o quanto esse movimento é importante hoje, e foi ele que me ajudou a olhar as coisas com uma outra perspectiva e perceber que eu não precisava ser homem, para fazer aquilo que eu gosto.

Depois disso me tornei uma pessoa cada vez mais forte, e passei a não aceitar mais quando um cara falava que eu não poderia jogar bola ou fazer qualquer coisa que fosse. Algumas pessoas acham que hoje, é tudo mais simples para mulheres se formos parar para olhar há alguns anos, mesmo que tenhamos conquistados alguns direitos depois de muita luta e voz feminina questionando as coisas, ainda sofremos machismo, e só quem é mulher pra saber isso, porque ninguém sabe o que uma mulher passa a não ser ela mesma.

Hoje, eu consigo entrar em um time de futsal feminino, consigo andar na rua sem usar sutiã, estudar aquilo que eu quero, postar foto nua na minha rede social, e me sentir cada vez mais livre para fazer o que eu bem entender. Eu faço tudo isso porque eu tomei coragem de enfrentar um a barra todos os dias por fazer coisas que deveriam ser simples de fazer, mas não é fácil. Nunca foi.

Nós mulheres temos que lutar 10 vezes mais que homens para conseguir fazer aquilo que gostamos e ter reconhecimento.



Ainda tenho saudades

(Imagem: Todos os direitos reservados)
Boa era as tardes em que eu estava deitado naquele sofá na sala, e ela no quarto deitada assistindo TV, e eu escutava o som da chuva fina que caía lá fora, isso me trazia paz, ela estava ali e não havia ansiedades ou preocupações. Nas nossas noites dividíamos o mesmo quarto, ela tinha o costume de dormir com um rádio do lado do travesseiro, esses pequenos, antigos, com o volume baixo com aquelas músicas caipiras, de alguma forma isso não me incomodava, ela estava ali e era o que importava. 

Ela se foi, não moro mais na mesma casa, não tenho mais aquele sofá, aquele quarto, o som do radinho nas madrugadas, não tenho ela me acordando de manha cedinho para subir no telhado para arrumar a antena dá TV. Não tenho mais ela, mas de alguma forma sou confortado e abraçado pelos momentos bons que vivemos.

 A lembrança do café da tarde, ela sempre me pedia para fazer bem forte e me dava algumas moedas para ir á padaria e trazer o nosso pão francês. O seu olhar firme para mim, sua postura como de quem estava pronta á ir á guerra, a firmeza nas palavras, as mãos enrugadas, isso me abraçava, um porto seguro. Achei que ela fosse viver para sempre, foram várias idas ao hospital, algumas ela até ficava , mas sempre voltava, e isso me trazia paz, segurança, mas um dia ela foi, mas não voltou e quando recebi a notícia não acreditei, me vi sem chão. 

Como assim ? Ela sempre volta. Passei por muita coisa e ainda não superei tudo, mas Deus esteve me ajudando, anos se passaram, não foi fácil me reerguer sem ela. Hoje estou bem, ganhei uma família, pai, mãe e três irmãos, e tem sido muito bom. Confesso que ainda sinto saudades daquele sofá, da chuva, dela, do radinho. Nunca vou esquecer , ainda tenho saudades. 

Sobre saber lidar


[16:30, 21/12/2017] Anônimo:
Eu nunca consegui lidar com perca de pessoas, principalmente aquelas que eu amo. Eu nunca consegui lidar com o fato da gente se completar tanto, mas ao mesmo tempo nunca está bem. Eu nunca consegui lidar com as nossas brigas e com a possibilidade de não te ter mais na minha vida. Eu nunca consegui falar que não quero mais está com você, mas passar um minuto pra ser o suficiente para sentir sua falta. Eu nunca consegui lembrar das nossas histórias e me imaginar sem uma página nova em branco, pra continuar escrevendo. Eu nunca consegui imaginar a possibilidade de não contar pros meus filhos, o dia em que eu e o pai deles brigávamos, até descobrir como fomos feitos um para o outro. Eu nunca consegui lidar com a possibilidade de não vê mais aquele sorriso bobo, com cachinhos nos seus olhos, enquanto eu sussurrava o quanto eu amo você.  Eu nunca conseguir lidar com a possibilidade de abrir meu chat, e não vê mais o ícone da sua conversa ali. Apesar dos pesares, eu sentia sua presença, e eu não sei lidar, com a real possibilidade de você não está mais aqui. Mesmo pra eu compartilhar minhas histórias bobas, e jogar xadrez com você na escuridão e na ventania da noite, quando não tínhamos mais o que falar. Eu não consigo lidar, com você tendo tanto rancor de mim, quando no fundo eu só queria está com você. O meu desejo ardente de ter comigo, de passar cada segundo com você, a dor pela a sua ausência, a vontade absurda de te ter comigo em cada minuto da minha vida, me fez te perder. Eu não consigo lidar, com as minhas manhãs cinzentas por você não está aqui. Eu sinto uma imensa falta sua, mas me sinto solta, e não mais uma mulher preza em um amor ardente de um homem de cachinhos dourados. Eu não consigo lidar. Mas estou aprendendo lidar.

-B

Amores


Pessoas. Às vezes eu penso naquelas pessoas que um dia fizeram parte da minha vida. Daquelas que pareciam irmãos, que parecia que estava aqui comigo durante toda minha vida, de tanta afinidade que a gente tinha, aquela pessoa que parecia, que estaria ali, o tempo todo. E não está mais.

 Eu lembro de você aqui em casa, rindo da minha maneira bizarra de comer, deitado do meu lado enquanto a gente fingia assistir netflix, tirando fotos aleatórias que faria parte da nossa coleção. Eu lembro dos nossos rolês, no qual você sempre fazia piadinhas por eu pedir cachorro quente sem salsinha, quando você me acompanhava em lugares que ninguém mais iria comigo, quando você me abraçava e eu me sentia em casa. 

Você era aquele tipo de pessoa que não se faltava assunto. Que conversava comigo até sobre as coisas mais bobas e insignificantes do dia a dia, mas que ao mesmo tempo fazia tanta diferença nas nossas conversas. Você sempre estava aqui. Sempre vinha me visitar, mesmo quando parceria que você morava em Marte e eu Júpiter. Estava quando eu pensava em me jogar da janela do quarto andar, e me abraçava quando eu já não tinha mais lágrimas de tanto chorar.

 Eu pensei que você fosse a pessoa certa pra mim. Porque eu amava a amizade que eu tinha com você, eu amava a boa vontade e a questão que você fazia por mim, eu amava o fato de eu te mandar uma mensagem agora é você não demorar nem 1 minuto pra me responder, eu amava. 

Que ironia da vida, aquele cara que fazia questão por questão, de repente, não ser a mesma pessoa. Me ignorar quando eu mais preciso, se ausentar nos momentos mais importantes da minha vida, me responder uma semana depois e da trezentas justificativas como se eu realmente, não lembrasse da pessoa que você era. Eu conheço essa história. Eu sinto sua falta. Eu sinto falta da pessoa que você era. Daquela pessoa que um dia me tratou bem. Daquela pessoa, que eu chamava de meu bem.

Quanto tempo?


Uau. Quanto tempo eu não venho aqui. Quanto tempo eu começo, e não termino. Quanto tempo eu não venho nesse espaço branco, vazio, sem histórias, que está aqui, exatamente aqui, me esperando pra escrever tudo aquilo que está dentro de uma caixinha trancada dentro de mim.  Desilusões amorosas. Frustrações. Quebra de corações. Sentimentos. Isso eram coisas que me faziam vim aqui. Vim aqui escrever, gritar, para tirar toda aquelas dores que ficam dentro de mim. Quanto tempo eu estou guardando isso. Quanto tempo. As dúvidas, as fumaças não me deixaram ver como é que eu fazia pra tirar tudo isso dentro de mim. Quanto tempo. Quanto tempo... 

 Quanto tempo que eu te conheci. Faz quanto tempo que eu sinto o que sinto por você hoje? Quanto tempo eu almejo uma história, que parece cada vez mais longe, como um pequeno vaga-lume vagando no fim de uma caverna composta por pedras. Quanto tempo. Quanto tempo eu queria te tocar, te sentir, e sentir o fogo dos sentimentos recíprocos que a gente tinha. Quanto tempo. Quantas coisas a gente passou. Quantas vezes enfrentamos desafios juntos, obstáculos, um muro tão alto sem escadas pra subir, só com a força e a mão dada um do outro pra poder, ficar juntos. Quantas histórias, quantas lágrimas, quantos sorrisos, quantas dores, quantos abraços, quantos beijos, quantas letras, palavras, mensagens, quanto tempo, nós vivemos juntos. Eu nunca consegui entender porquê as coisas sempre vão embora um dia. Por que as coisas boas, tem que partir. Por que o sorvete de chocolate, uma hora se torna amargo. Por que uma explosão de fogos de artifícios, tão lindos, tão intensos, tão fortes, que brilham lá no céu, uma hora cai, e some. Como se nunca tivesse existido, como se nunca tivesse uma história ali. Amar você, é como andar de montanha russa. Eu sinto um enorme frio na barriga, medo e uma sensação incrivelmente gostosa. Mas hora o carrinho para. E eu não sei o que fazer, eu não sei. Quanto tempo isso vai durar? Quanto tempo tempo vamos conversar? Quanto tempo vamos nos beijar? Quanto tempo vamos nos amar? Quanto tempo?

A ideia de que alguém sempre vai embora



Eu tenho uma péssima mania que não gostaria de ter. Mas é algo que no final das contas eu sei que não é culpa minha, porque foram as coisas que aconteceram que me fizeram ser assim, mas mesmo assim ainda acho um jeito de me culpar. É exatamente aí que está o problema. Desde novinha, sempre fui uma garota que se interessava pelos garotinhos da minha idade e isso sempre me machucou. Porque no final, eu acabava ficando magoada porque o cara que eu tanto sonhava não me queria. 

Durante uma semana jurava pra mim mesma que nunca mais ia me apaixonar por ninguém, até que vou ao supermercado conheço alguém legal, passamos alguns meses conversando e pronto. Estou apaixonada outra vez. Parece um ciclo sabe? O fato de eu conhecer alguém, da certo por no máximo alguns meses e depois a pessoa me dá um pé na bunda. Eu choro sem parar, acho que é o fim do mundo, e então, eu aprendo a lidar. Isso aconteceu tantas vezes que eu me fez colecionar mágoas e medos. E agora toda vez que conheço alguém, eu sinto que ela vai me deixar. Seja um amigo, um colega, um vizinho ou um namorado.

 Eu passo mais tempo pensando em como lidar quando isso acontecer, do que de fato curtindo o momento em que estamos vivendo. Acordo pensando no tão péssima pessoa que sou e fico procurando maneiras de melhorar pra porque eu me importa tanto com as pessoas que não queria ser uma pessoa tão rude como forma comigo. Ou talvez, eu tenha medo dela me deixar.

Você era a última pessoa que imaginei me deixar

Ensaio Temático: Circo
(Imagem/Reprodução. Todos os direitos reservados)

É tão incrível como as coisas passam tão depressa. Quando você conhece uma menina na fila do supermercado, começa a conversar como se já se conhecessem, ficam tão próximas até virar melhores amigas, vivem momentos inesquecíveis, têm histórias que vocês querem guardar para contar para os seus filhos e netos, e depois de um tempo, você para e olha aquela foto que tiraram no parque de diversão. Ah aquele dia foi tão incrível não foi? Mas ela não está mais aqui, não é mesmo? Vocês não são mais amigas. Por circunstâncias da vida. Mal mal falam um oi uma para outra ou pergunta só para saber como está. Que orgulho. A gente nunca imagina um fim para as coisas.

Engraçado né? Quando eu ando pelo pátio da escola e esbarro com aqueles amigos que eram o meu grupinho. -Opa, desculpa. São as únicas palavras que a gente consegue trocar. Como se nunca tivéssemos no conhecido. Como se não tivéssemos sido amigos.

É inacreditável como eu chorava há dois anos porque aquele meu amigo, me deixou. E hoje eu nem se quer consigo lembrar da voz dele, do abraço dele, do carinho que a gente trocava. E isso acontece tantas e tantas vezes e parece que eu nunca aprendo. Que todo mundo vai ir embora. E a gente precisa aprender a lidar com isso e se adaptar com isso. Ao invés de ficar chorando e se lamentando por mais alguém que se foi.

Há pouco tempo eu conheci uma pessoa muito especial. Que eu queria guardar em uma caixinha que fica em cima da minha escrivaninha, e nunca mais deixar ir embora.  Eu lembro como se fosse hoje, que nos primeiros dias que começamos a conversar, ele me disse que não se afastaria de mim e que tentaria manter o máximo possível pra gente continuar amigos. De manhã cedo, a gente marcou de se vê, e começamos jogar conversa foro sobre a gente no futuro. E de noite, ele me deixou uma mensagem de texto falando que não queria mais eu na sua vida. E o que a gente faz?


É tão estranho acordar e não ter mais mensagem, não ter mais aquela pessoa ali, simplesmente sumir das suas redes sociais, de todos os lugares, como se nunca tivesse existido. Como se nunca tivéssemos nos conhecidos. E a única coisa que te pedem para fazer, é para você aprender a se adaptar com isso. Te pedem para esquecer, mas esquecem que isso só é possível se a gente bater a cabeça e esquecer a memória. Ou talvez ter Alzheimer. Eu não sei lidar com isso. Eu não sou obrigada a ter que lidar com isso. Mas se pudesse escolher alguma coisa e pudesse pedir para qualquer pessoa. Por favor, não entra na minha vida se não tem intenção de ficar. Ou falar coisas que não vai cumprir. 

Escritores Nacionais: Cansativo

(Reprodução/ Sabrina)

Mais um dia de escritores nacionais aqui no blog! Eu adoro conhecer o trabalho das pessoas e publicar textos aqui, e dessa vez eu trouxe mais uma vez um post da Sah. Para quem não conhece eu falei um pouquinho dela no último post, então vocês podem conferir. Então vamos ao texto! 

"É cansativo querer ser o orgulho dá família, mas não ganhar elogios. É cansativo se importar tanto com uma coisa, mas não ser retribuída com a mesma importância. É cansativo fazer tudo certo e ninguém enxergar, enquanto fazemos algo errado e todos comentar. É cansativo ser simpática, com quem te olha com nojo. É cansativo chorar escondida, para não preocupar ninguém. É cansativo poupar alguém, de algo que não deveria ser poupado. É cansativo abaixar a cabeça, e ninguém se importar. É cansativo segurar o turbilhão de sentimentos ruins só pra mim, quando eu devia explodir para o mundo. 

É cansativo viver para agradar os outros, enquanto se leva punhaladas pelas costas. É cansativo ter tanta coisa pra fazer, e no fim não conseguir realizar nenhuma. É cansativo ficar deitada, quando eu deveria viver minha vida. É cansativo ter que lidar com a distância, quando eu realmente não queria. É cansativo quando da tudo de errado na sua vida, mas você tem que fingir que está tudo bem. É cansativo ser dependente, quando eu poderia ser independente.  É cansativo viver presa, quando eu devia me profissionalizar em algo. É cansativo se sentir sozinha quando existe várias pessoas ao redor.

É cansativo estar decidida do que fazer, e as pessoas falarem que você não consegue. É cansativo ser a errada, mesmo quando estou certa. É cansativo sorrir sempre para não demonstrar tristeza. É cansativo estar perto de alguém, que realmente não te queria por perto. É cansativo ser excluída do grupinho que costumava ser o seu. É cansativo esconder ser quem eu realmente sou, e mesmo assim ser julgada por quem pareço ser. É cansativo..."

Escritores Nacionais: Quem Dera


(Imagem: Todos os direitos reservados)

A gente já começou a semana falando de artes, já que ontem eu mostrei para vocês um pouco do artista Rafael Ludicanti e para não perder o rítmo, hoje eu trouxe mais um post do projeto Escritores Nacionais, no qual vou está sempre postando toda terça um texto de alguns escritores espalhados por ai. Dessa vez eu trouxe uma crônica escrita pela Sabrina de Araújo. Elá é uma amiga minha, e ela costuma escrever crônicas baseando nos seus sentimentos. Esse é o meu texto predileto dela, e eu espero que vocês gostem também!

'Quem dera...

Quem dera se eu sentisse o cheiro das flores do campo, enquanto o meu interior está seco. Quem dera se eu fosse confortada com um abraço carinhoso, em meio a solidão. Quem dera se alguém se importasse tanto com o que sinto, a ponto de prevenir um desastre. Quem dera se o abandono de um amigo, não doesse tanto. Quem dera...

O olhar de quem nos olhava com lágrimas nos olhos, onde se via o brilho das estrelas, que hoje é um olhar seco, onde se ver um deserto de gelo. É nesse momento que a escuridão nos afeta, quando menos precisamos dela. Quem dera se pudéssemos escolher a felicidade, quem dera...

Quem dera se as cores do arco-iris, nos trouxesse alegria. Quem dera se um conhecido do outro dia, pudesse substituir uma amizade antiga. Quem dera se o infinito do mar, virasse o infinito dá vida. Quem dera...

Quem dera se um sorriso pudesse esconder um choro entre quatro paredes que tenta se tornar invisível. Quem dera se o calor do sol nos esquentasse em meio ao frio ardente. Quem dera se a vida fosse justa. Quem dera...

O olhar de quem nos olhava com lágrimas nos olhos, onde se via o brilho das estrelas, que hoje é um olhar seco, onde se ver um deserto de gelo. É nesse momento que a escuridão nos afeta, quando menos precisamos dela. Quem dera se pudéssemos escolher a felicidade, quem dera..."

Escritores nacionais: Meu melhor lugar


(Imagem: Todos os direitos reservados)

Ah como eu adoro postar textos de escritores aqui, dessa vez eu trouxe um texto da Cleópatra Rodrigues, que também é blogueira, dona do blog Tons de Felicidades. Ela escreveu uma crônica bem legal, então trouxe para vocês acompanharem também!

"Vi que você atualizou seu status no facebook, desejo felicidades; eu também segui minha vida, mas não como você. Você realmente seguiu em frente, já eu, continuo presa ao passado, talvez um pouco largada e sempre pensando qual motivo do fim. Existe algo no passado que me prende. Não sei se são as pelúcias que ainda guardo, sua camisa que ainda tem seu cheiro, ou até mesmo os poemas que você fazia para mim. Mas cá entre nós, eu acho que o que deve me prender mesmo é a vontade de realizar todos aqueles nossos sonhos e reviver todos aqueles momentos.

Eu me pego lembrando do passado e como tudo aconteceu, lembro daquela intensidade e reciprocidade que tínhamos, uma conexão inexplicável. Éramos como metades da laranja, sabe? Mesmo ambos sendo inteiros, no fim a gente se completava. Era algo lindo de se ver e viver. Mas de repente todo aquele sonho acabou. E desde então não sou mais a mesma.

Parece até uma maldição a forma como você é insuperável, depois daquele "tchau" eu pedia a Deus todas as noites antes de dormir para aquela dor passar, pois eu já não aguentava mais tamanha dor. Pedia também para cada átomo do meu corpo parar de desejar cada átomo do seu, mas é em vão, parece que cada vez só faz aumentar o buraco no meu peito e a falta que você me faz. Pareço boba ao falar; uma adolescente perdidamente apaixonada pelo seu primeiro amor, mas de todas as pessoas que já passaram na minha vida, você seria o único que eu ficaria do lado não importa o que acontecesse, o que fizessem ou dissessem.

Quando te vejo meu coração para, quando falam de você meu coração dói, minha garganta fica presa com todas aquelas palavras e frases mal formuladas que sempre ensaiei para lhe falar. Saiba que você é meu melhor lugar.Mesmo sabendo que não está mais ao meu lado e que provavelmente nunca mais estará, eu tenho certeza que vou acabar esbarrando em você, de uma forma ou de outra. "

Escritores Nacionais- Ela, a fiel companheira.


(Imagem/Reprodução) 

Olá meus amores! Para quem não sabe eu estou com um novo projeto aqui no blog! No qual toda semana, na terça feira, vou postar um texto de vocês! Vou explicar melhor. Eu sou apaixonada por crônicas, poemas... e vejo muitas pessoas talentosas, mas que infelizmente não são tão conhecidas assim, então para da um empurrãozinho e incentivar a literatura brasileira, vou está postando o texto dessas pessoas. Então se você escreve, está super convidado a postar aqui também. Me mande por e-mail seu texto e logo vai está aqui!



Então o primeiro autor que vai aparecer aqui com a gente é o escritor e poeta Rui Sampaio. Ele escreveu o livro "O Poeta Amargo", que inclusive a poesia que vou deixar aqui para vocês lerem faz parte desse livro. Para quem quiser saber um pouco do livro segue a sinopse abaixo:

"A poesia pode ser uma forma de expressão, uma maneira de enunciar-se, de vomitar o que se sente, pode também ser um fingimento, uma vontade de sentir algo ou de fugir de si mesmo, pode ser algo que lhe acalma, que lhe anima, que limpa a alma, pode ser uma necessidade, uma maneira de expurgar a dor, a raiva, de aliviar o coração e falar com rimas quando o momento pede que se cale, quando você não pode gritar. A poesia pode ser algo belo que você deseja escrever porque está apaixonado ou simplesmente porque acordou feliz, pode ser uma forma de gratidão e de conectar-se com o divino, poesia também pode ser crítica social, uma forma de protesto, de reflexão, pode ser liberdade, uma maneira de dizer o que é preciso, de falar sobre tolerância, sobre justiça, sobre as mazelas humanas, sobre sociedade, consciência e evolução, poesia é arte e também filosofia, afirmação e negação. Nesta obra o “poeta amargo” faz tudo isso, usa a poesia de várias maneiras e com vários objetivos, de forma a eterniza-se em cada alma que se identifica com seus versos ou que nela encontra inspiração e motivação para a vida."


Para quem se interessou no livro ele já tem a pré venda no site da Editora Buriti.

Agora chega de enrolação e vamos a poesia maravilhosa que ele escreveu, que se chama
"Ela, a fiel companheira."

Quem há de entender minha amiga?
Quem há de acolhê-la?
De fazê-la sua companheira?
Quem dela não terá medo?
Eu já não tenho receio
Em aceitá-la.
Não, não falo da morte
Para alguns o vocábulo até se aproxima
Antes eu a chamava falta de sorte
Agora é o prazer da minha rima
Minha simplória poesia
Já não rejeito nada do que vem dela
Sem magoas, sem lamentos
Sem injurias, sem medos
Eu abracei a solidão
Segurei na sua mão
E dancei com ela.

O que aconteceu com a gente?



A gente só falar de amor. Sendo mais especifica, estou dizendo daquele amor entre casais, aquele cara que nos deu um pé na bunda, ou que a gente se relacionou e não deu certo, aquela dor insuportável que ele me causou e parece não ter fim. A gente só fala de amor. Amor entre casais. Mas dessa vez é diferente, sente-se, pegue uma xícara de café, se enrole no edredom, se aconchegue, clica no play e me escute...Eu quero falar de amor entre amigos. 

Eu pensei que existia algo de errado comigo. Eu realmente pensei que eu não sou uma garota digna de ter boas amizades, porque parece que, todas aquelas pessoas que eu quero levar para minha vida simplesmente desaparecem, desaparecem quando você mais precisa delas, quando mais você quer ter elas na sua vida. 

Será que o problema é meu? Será que eu fiz algo de errado? Será que não estou sendo uma boa amiga? As pessoas entram na nossa vida e sai tão rápido, sem avisar, que faz com que a gente fique com desespero, fica com medo, medo de perde-las. Medo de conhecer alguém novo e esse alguém for embora. Medo de vacilar. Medo de curvar naquela linha reta, medo de estragar tudo. E mesmo tentando, se esforçando para que os laços não se separem, e que não se torne uma boa lembrança, eles se vão, e você não pode fazer mais nada a não ser aceitar.

Eu amo os meus amigos. Amigos que não diriam o mesmo sobre mim, mas eu os amo, e odeio amá-los. Odeio tanto porque os coloco na frente de tudo, me entrego, me preocupo e me desabo quando estão ausentes.  Doí tanto olhar pra vocês e lembrar que um dia fomos tão próximos, um dia dividimos os nossos maiores segredos, e agora, vocês não estão mais aqui, parece desconhecidos, parece que nunca os conheci. 

As vezes a gente dá uma importância muito grande por pessoas que parecem não fazer o mesmo por nós. Talvez, porque esperamos que eles carreguem uma carga por nós, que talvez, não dão conta de carregar. Não os culpo por isso. É só um péssimo hábito de achar que as pessoas deveriam fazer o que fazemos por elas. 

Enfim, aqui estou eu escrevendo sobre algo que não queria escrever,  queria que esse fosse um texto fofo falando o quanto nossa amizade cresceu e estamos juntos nessa caminhada. Queridos idiotas, eu odeio imensamente vocês por amar tanto e sentir tanto as suas faltas Eu sinto muito por não ter uma continuidade feliz como imaginei que teria, mas sinto mais, por vocês não terem mais uma amiga tão boa como seria. 

As histórias que nunca começaram



(Imagem: Reprodução)

A gente sempre imagina uma história de como vai ser nossa vida. Um futuro imaginário que colocamos exatamente aquilo que achamos que merecíamos ter. De como deveria ser. E então passa anos e você percebe que aquelas imaginações de anos atrás,  nunca existiram. O que era pra ser uma noite estrelada, passa a ser uma noite chuvosa.  Aquela escola que imaginamos formar, não existe mais. Os amigos, que pensamos que teríamos ao nosso lado para sempre, no final, hoje não passa de conhecidos. Aquele amor que conhecemos no feriado, que cultivamos e fizemos planos, nunca existiu. Os planos,  as expectativas,  os sonhos,  parece que cada vez está mais distante.  Ou talvez, aquela chama dentro de nós,  simplesmente apagou, e as coisas que um dia foram extramente importante, não fazem mais diferença. 

Sabendo disso, a gente tenta não se basear,  imaginar,  criar expectativas quando algo novo aparece, porque temos certeza que amanha as coisas não serão da mesma forma.  Mas mesmo se esforçando para que isso não aconteça, você se apega,  se entrega e acredita tanto que vai da certo,  como se não existisse mais o amanhã.  E quando finalmente as árvores crescem e nascem flores, o verão acaba, o outono chega,  as flores, as folhas caem, e então ela fica nua. 

O inverno chega, ficamos com frio, com medo, se sente impotente,  e de repente, ele também vai embora. E novamente já é primavera, as folhas crescem novamente e brotam flores. Como se fosse tudo pela primeira vez, por um novo começo,  uma nova história.
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